Guia politicamente incorreto da história do mundo - Leandro Narloch

2 minute read Published: 2016-04-29
★☆☆☆☆

O título mais correto para este livro seria: "Narloch e as Fantásticas Falácias para Provar Pontos".

O livro até começa bem, falando historicamente de Nero e da famigerada queima de Roma.

A partir desse ponto, no entanto, a coisa desanda para um nível de falácias que, se fossem analisadas, poderiam gerar um livro com o dobro do tamanho deste.

Falando em Galileu, o autor debocha do fato dele (Galileu) ganhar a vida escrevendo horóscopos. Mais tarde, insinua a homossexualidade de Ghandi, e afirma "apesar disso, não podemos criticar Ghandi por suas escolhas sexuais" (ou algo desse tipo). Sim, não é possível, porque isso é chamado ad hominem -- que, estranhamente, é o mesmo que o autor fez com Galileu! Vale pra um, não vale pro outro.

Outro caso: Afirmar que a revolução industrial ajudou os pobres da Inglaterra, e logo depois afirma que a grande maioria que saiu do campo e foi procurar vida melhor na cidade, morreu. De forma alguma estou criticando a revolução industrial, mas quando "a grande maioria" morre por algo, como é que ela pode "ter feito bem"?

Essas imbecilidades que beiram a infantilidade nesses 4 primeiros capítulos fazem com que o resto do livro fique com uma sensação ruim ao ler. Não só falácias e erros crasos de lógica percorrem o livro inteiro, a postura política do autor também fica extremamente clara. Se houvesse, logo de cara, um aviso sobre isso, não seria grande problema; o problema ocorre que o livro aparentemente escolheu fatos justamente para justificar a postura política ao invés de, obviamente, focar na história do mundo (que está ali no título).

Não só a qualidade lógica do conteúdo tem que ser constantemente questionada, mas a versão do Kindle deixa muito a desejar. Além de hifenizar palavras em lugares errados ("escol-ha", por exemplo), o autor decidiu colocar parágrafos com bordas mais largas de forma alternativa (algumas vezes, o texto fica todo à esquerda, outras todo a direita), usa 4 tamanhos diferentes de fontes e, randomicamente, deixa uma palavra em negrito. Só faltou o texto inteiro estar em comic sans.

Não que o livro não tenha seu conjunto de informações, mas o fato de ser, especificamente, um amontoado de situações da história usados simplesmente para provar (com erros de lógica que fariam os pensadores gregos rirem até a morrerem) a posição do política do autor realmente destroem qualquer consideração que deveria ser feita ao conteúdo real.